Eram dez e meia da noite, subindo a rua desembargador souto maior, do centro para meu bairro, esse percurso eu levo dez minutos para fazê-lo. Notei que uma mulher vestida de preto subia e vagavam um ou dois funcionarios de limpeza de rua, tirando isso era deserto. Acelerei meus passos... Um carro pára próximo a mim em cima da faixa do sinal vermelho, sinal este que não precisa ser respeitado nessas horas, estranhei um pouco, haviam quatro pessoas bem alterados dentro do carro, um gol ou golf cor de mel, quatro portas, e comecei a achar que o motorista estava bêbado ou algo assim, porque havia deixado o carro estancar, e continuei minha estrada, mas o carro não, e eu estranhei novamente, depois o carro passa devagar perto de mim, e novamente pára o carro, e o barulho dentro do carro é notório, depois as portas aparentemente são destravadas, e eu começo a perceber que o que eles queriam ali, naquela hora seria me abordar e fazer algo comigo, percebi que se isso acontecesse não sobriveviria, nem e se sobrevivesse seria pra desejar estar morto, por isso pensei logo, em correr, a qualquer movimento desses quatro. O presumido veio a acontecer, o motorista sorriu com um sorriso de bruxo, do tipo hahaha, te peguei, e eu olhei pra tras e o negro alto com uma camisa preta em torno da face, deixando apenas uma frecha para os olhos negros dele, e me dizendo pára ae boy!, a minha reação já premeditada funcionou, meus pés me disseram estamos prontos, e eu falei em voz alta para aquele marginal, "Tenta me pegar!", ele realmente obedeceu, tentou, e correu e o carro subiu junto atrás, e eu pude sentir que o negro estava tão perto de mim, ouvindo suas passadas próximas as minhas, quando já no meu encalço eu disse não vou morrer, minha vida tá ótima pra isso acontecer comigo, e corri ainda mais, ele fui ficando pra trás, e entrou novamente no carro, eu corri pra um lado onde o carro não poderia me alcançar, e olhei pra trás, estava tudo tranquilo novamente, e as novas pessoas que surgiam diante de mim, não sabiam de nada do que havia acontecido segundos atrás, e continuei meu percurso até minha casa, ofegante e cheguei, ao que contava o fato a minha materna, eis que a vizinha naquela hora da noite, batia à porta e gritava pelo meu nome já em tom de desespero, e nós atendemos, e abrimos a porta, ela ficou menos tensa, ao me ver, e nos contou que era ela a mulher de preto que subia a ladeira naquele momento, e contou que a intenção dela antes do que ia acontecer era me chamar pra acompanhar ela e subir a ladeira comigo, o bom foi que ela não fez isso, já pensou,... estariamos ambos dentro daquele carro, ou não vai saber o que poderia ter acontecido, eu não iria correr e deixar ela e ela jamais correria. Ela nos contou que ao ver a cena, voltou e encontrou o pessoa que varre a rua no periodo da noite oito pessoas da EMLUR, a apoiaram e ela ligou pra Policia, que apenas desdenhoue dela, e ela já pensando que eu não estava mais vivo, porque achou que eu tinha sido pego. Mas pra alegria de todos nós foi esse livramento. O pior é que eu sentia que eles estavam a procura de alguém pra matar, e pela manhã uma noticia, na altura do bairro Padre Zé por volta daquela mesma hora da noite na avenida Tancredo Neves homens mataram um jovem de 17anos chamado Marcelo Vieira, o meu xará foi embora no meu lugar, acho que não deu pra ele correr. Mas de todo caso, é que estamos atados e não podemos fazer nada, só de sábado pra segunda feira morreram assassinadas e sem explicação 14 pessoas, em João Pessoa. Esses bandidos ficarão impunes. E eu estou com medo de voltar para casa a noite depois da aula. Tive sorte também porque não estava fardado, e sim com uma blusa preta. Mas estou bem, minha mãe ficou abalada com essa história. E eu preciso voltar pra casa todas as noites depois da aula. Vou pegar outro caminho pra chegar em casa. Agradeço a Deus pela Minha Vida. Estou vivo e tenho um propósito a cumprir. Abraço A Todos.
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